REPORTER: Em nossa comunidade de Suruacá que fica situada na margem esquerda do Rio Tapajós Resex. A enchente não chegou até os moradores que estão situados na parte mas alta,por causa do grande barranco. Mais atingiu os lugares próximos daqui, como: Santa-Quitéria, Bom Jardim e Varre-Vento. Alguns moradores tiveram que se mudar para a parte mas alta, pois foi impossível permanecer no local onde estavam, por causa da grande enchente do Rio Tapajós. Nós fomos até Santa-Quitéria, onde é um dos pontos turísticos daqui da comunidade de suruacá. Andamos um pouco e vimos os prejuízos pelas águas, onde os bangalôs ainda estão totalmente submersos. A ponte está quase toda alagada e a situação dos alunos, fica meio complicado por que tem que atravessa-la todos os dias, concerteza correndo um grande perigo. Fomos até a casa do Sr. Raimundo Correa que é um dos moradores atingidos pela enchente, a sua casa de farinha e chiqueiro dos porcos estão todos alagados e a água está cada vez mais próximo da sua casa. fizemos uma pequena entrevista com a família. O Sr. Raimundo explica como está se sentindo neste momento nessa situação:

RAIMUNDO: -Agente se sente um pouco ameaçado pelas cobras, jacarés e ai agente fica ser ter pra onde correr, agente não pode fazer nada e o jeito que tem é ficar por aqui e esperar a água baixar pra ver se a vida continua, volta ao normal e agente vem se esforçando o máximo pra não correr porque contra Deus a gente não pode e ai agente fica aqui!, já temos fazendo farinha lá pelo centro do pessoal, porque não tem outro jeito e agente vai levando a vida devagar.

REPORTER: E diz ainda que em todo esse tempo que eles moram no local nunca havia ocorrido uma enchente como essa de 2009:

RAIMUNDO: -Nunca tinha acontecido uma enchente parecida como essa, essa é a primeira. A outra de 2009 chegou um pouco mais ali, naquelas mangueiras, não veio no limite que esta aqui agora, essa aqui já passou dos limites, e realmente essa daqui é uma das maiores enchentes das que já ocorreram anteriores.

REPORTER:-Sra. Ana Maria Santos, explica qual a maior preocupação ao conviver no lugar com sua família. E também faz um apelo as pessoas, porque estão passando por esse momento difícil.

ANA MARIA:- A minha preocupação é por causa dos bichos. E que antigamente quando eu não morava aqui, agente morava aqui abaixo, aqui na Ilha de Santa-Quitéria, só que com 20 anos atrás agente se mudou…(pouco nervosa) e ai agente se mudou pra cá para cima e… (chorando… chorando) eu nunca esperava de uma enchente dessa, chegar até o final da casa de onde agente está morando, mais é isso mesmo… porque é Deus que está fazendo isso, e nós temos que aceitar porque é da vontade dele, mesmo assim eu fico preocupada com meus meninos na travessia daqui pro outro lado, porque as vezes agente não está em casa, não só meus meninos como as outras pessoas que precisam da passagem para atravessar. Como eu falei e o meu marido falou sobre a enchente, e que esse ano, foi o ano que encheu mais do que esses outros anos passados, e ai eu também estou preocupada porque agente está com dois meses sem ganhar um tostão (chorando…chorando) aqui né? que vocês sabem que agente trabalha com a agricultura e ai eu queria também pedir ajuda das pessoas, das famílias da minha comunidade ou de outros lugares, que tiverem a consciência de dar uma ajuda pra agente, eu não digo assim muita coisa, porque vocês sabem, aqui o ganho da gente é da mandioca e a nossa cozinha de forno está toda na água então eu peço, que aquele que tiver consciência, que quiser dar alguma coisa, eu agradeço mesmo de coração e que eu sei que Deus vai retribuir muito mais para as pessoas que nos ajudarem.

REPORTER:-Fomos também até a direção da escola João Franco Sarmento para saber o que eles fizeram para solucionar o problema dos alunos que moram neste lugar(Santa-Quitéria) que todos os dias tem atravessar a ponte para ir à escola.

E o diretor da escola José Maria Melo Imbiriba que nos disse o que foi feito para ajudar as crianças a não deixarem de freqüentar a escola:

DIRETOR:- Primeiramente o que nós observamos é que as crianças, com a dificuldade que estavam passando nesse momento com a enchente, nós observamos que precisava fazer uma coisa mais urgente, não esperar pela SEMED resolver o problema, até porque nós corremos atrás para isso, através da secretaria de educação e não fomos atendidos. E o que nós fizemos é ter primeiramente contato com as famílias se realmente teriam condições de dar esse transporte para as crianças e eles acabavam dizendo que não era possível. Nós acabamos tomando uma decisão junto com o nosso parceiro agente comunitário de saúde. E então, como tem uma canoa que foi doada pela secretaria de saúde para ele fazer as visitas domiciliares nas famílias e essa seria a única opção no momento. Ele doou a canoa para fazer o transporte das crianças durante esse período de enchente.

E com a parceria que temos graças a Deus está dando certo. As crianças não estão deixando de freqüentar a escola, só estão chegando um pouco mais tarde por causa da travessia, mais estão freqüentando e no momento não temos nem um aluno fora da escola com o problema do transporte escolar.

REPORTER:- Ele também explica que em todo esse tempo que trabalha nas escolas nunca havia ocorrido uma enchente parecida como esta, que dificultou no estudo do aluno:

DIRETOR:- Aqui na comunidade ainda não, durante esse 3 anos que eu trabalho como diretor, no nosso pólo sim, já ocorreu, só dando exemplo da comunidade de Anumã que todos os anos ela enfrenta esse dificuldade. Graças ao nosso governo está investindo no transporte escolar, na educação e na melhoria para todos, que também já resolveu o problema de outra comunidades.

Mais aqui nessa comunidade é a primeira vez que nós enfrentamos essa dificuldade com o transporte escolar, porque segundo as pessoas que são mais veteranas na região informaram para nós que foi uma das maiores enchentes da região.

REPORTER:- Ele também disse como ele espera que seja daqui pra frente, e o que deseja para as pessoas tanto de nossa comunidade quanto as que moram em outros lugares, que estão passando por esse momento.

DIRETOR:-O que eu desejo é que o poder neste momento deve está observando que durante todo esse tempo agente vê que essa enchente é a que mais dificultou para a região. Não só na comunidade de suruacá mais para todo o município, inclusive a varzia que está sendo mais atingida por essa enchente onde nossos colegas que trabalham por lá, informaram para nós que a dificuldade é tão enorme, tem muitas escolas tomadas de água sem condições de trabalhar. E com isso desejamos que as parcerias, poder público, outros órgãos que trabalham e que ajudam na educação de todos, possam está cada vez mais tendo esse esforço e se preparando por que de repente pode acontecer outras enchentes como esta ou pior a e agente deve está preparado para o momento.

Jéssica Alves e Cristiane Santos